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Seu copo, como está?

Vivemos momento de incertezas. E a cada momento temos a oportunidade de nos olharmos e compreender o que se passa conosco. A maneira como você se olha é que irá definir se o seu “copo está meio cheio ou meio vazio”. O meu copo sempre está meio cheio e nunca meio vazio. A vida me ajuda a completar esse copo. A minha filosofia de vida é essa. Olhar o mundo com otimismo, ver o lado bom de cada situação. Lógico que toda rosa tem seus espinhos e toda estrada tem seus desvios. Cabe a nós a decisão de escolher. Cada escolha tem suas consequências e cada consequência nos levará a outro resultado. Nada é perfeito nesse mundo. Muito menos nós. Amadurecemos durante todo o trajeto. Há os teimosos que a vida se encarregará de polir. Há aqueles que desistem na primeira dificuldade e se recolhem. Há os que, mesmo com medo, avançam e dão a cara a tapa. E existem também os que se preparam para seguir em frente. Existem muitos tipos e, quais deles é você?

Evoluir é crescimento, é amadurecimento, é saber lidar com as dificuldades do dia a dia. Esse caminhar nos fortaleceu para o AGORA, para o hoje, para esse momento que nós vivemos. Todas as dificuldades, desvios, pedras nesse caminhar, nos trouxeram para o momento da decisão. A decisão de cuidar. Porque aprendemos a amar. E o bem maior é a VIDA e, esse momento é único. Quem nunca errou? Erramos e aprendemos e, ao aprender, evitamos de cometer os mesmos erros, pois outros ocorrerão. A vida é passageira e como você deseja ser lembrado?

Olhe-se no espelho e veja aquela menina (o) do passado. Ela existe dentro de nós. Foi ela quem nos guiou até esse momento, junto com todas as demais pessoas que conhecemos durante esse caminhar. Foi essa criança que amadureceu e decidiu ser o que somos hoje. Nós, meninas, nos tornamos mulheres. Somos fortes perante a vida, mesmo que algumas vezes não acreditemos nisso. A vida nos preparou para o agora. Todas nós passamos por pouca e boas, eu sei. Eu também. Mas, o que fazemos com isso, só nós mesmas sabemos. Tudo isso fazem parte de nós. Nossas cicatrizes, algumas feridas abertas, lágrimas e momentos de emoção. Como nos agarramos a isso tudo será a maneira que iremos ver o nosso “copo meio cheio ou meio vazio”. Cada um de nós conhece a sua própria história e não devemos julgar ninguém ou apontar dedos. O livro da vida é escrito diariamente e você é o ator principal.

Hoje somos cuidadores. Decidimos cuidar de alguém que tem Alzheimer ou outra demência neurodegenerativa. Uma decisão que para alguns foi tranquila, para outros não. Isso porque tem a ver com o nosso futuro. Abrimos mão desse futuro em prol de um familiar cujo final conhecemos bem. TEM A VER COM O ACEITAR. Mas como será essa nova história, só você saberá como escrever e o que escrever. O Alzheimer chegou em nossas casas e, aquela menininha cresceu. Hoje se encontra preparada para uma nova missão. Eu digo NOVA, porque vocês já notaram que estamos sempre cuidando de alguém? Na escola você protegia alguém em nome da amizade, no trabalho, no dia a dia, quando falamos de nossos ideais, em casa, como nossos irmãos ou parentes mais próximos. Com nossos filhos, como nossos maridos ou esposas e, assim por diante. Em algum momento fomos cuidados ou cuidamos de alguém e, isso nos preparou.

Lógico que, não somos cuidadores formados, e sim escolhidos. Aprendemos com o dia a dia, ensaio e erro, aprendemos nos grupos de apoio, nas informações contidas nos livros, filmes, sites, com os profissionais da saúde … Devemos buscar essas informações e filtrar. Lembrando que cada caso é um caso e que juntos somos mais fortes.

Mas, e você? Como você se enxerga nisso tudo? Um ser solitário lutando diariamente? Um ser cansado, deprimido que não vê solução? Ou uma pessoa que consegue levantar diariamente e viver o dia como se fosse o mais importante de todos? Volto a perguntar: “como está o seu copo?”
Cuidar é antes de tudo, se cuidar, se conhecer, perceber seus limites e traçar novos caminhos.

Cuidar é amar. É ser paciente. É ser criativo, entrar nas dificuldades e saber sair delas. É ser empático, é ter compaixão. Compreender que o ser que você cuida está ali na sua frente e, muitas das vezes, o Alzheimer irá falar. Cuidar é ser mãe, nos tornamos fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, enfermeiras, psicólogas, geriatras e, acima de tudo, aprendemos a compreender a linguagem do Alzheimer.
Então hoje eu te pergunto: seu copo, como está?

Juana Llabres
Youtube: Juana Llabres, minha mãe tem Alzheimer.

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