Menu fechado

Quando chega o diagnóstico de Alzheimer

“Cheguei em casa com minha mãe, por volta das 13 horas. Estava sem chão. Queria chorar, mas disfarçava, prendia o choro e sorria. A levei ao banheiro e troquei sua roupa. A coloquei na cama e fui a cozinha preparar algo para almoçarmos. Não parava de pensar no que a Dra. tinha me dito na consulta de hoje. ALZHEIMER. Minha mãe está com Alzheimer, no mínimo há dois anos. Meu Deus! E agora?

Procurei entender todos os sinais e comecei a juntar as pecinhas. Como não consegui enxergar isso antes? A culpa chegou e bateu de frente, doeu. Afinal sou formada em Psicologia e não percebi nada. Ou melhor, acreditei que esses pequenos sinais eram da idade. Afinal de contas. mamãe está com 87 anos. Neguei. Neguei e neguei de novo. Era muita dor no peito querendo arrebentar e, agora não podia. Tinha que fazer o almoço e dar de comer a pessoa que mais amo na vida.
O Alzheimer não iria me vencer. Não hoje, pelo menos.”
Texto do Blog: Alzheimer, uma história de vida.

Nos culpamos ao perceber que todos aqueles sintomas são na verdade o início de uma demência. Confundimos esses sinais como coisa da idade, caduquice, esquisitice ou envelhecimento normal esperado. Não paramos para avaliar o que está acontecendo, afinal de contas, qual o problema de pessoa repetir sempre a mesma história? Ou ainda, esquecer palavras ou confundir-se com o nome de objetos? Quem nunca conversou com a televisão? Ou esqueceu a onde guardou o controle da TV? Ou até mesmo se perdeu na rua? Ver esses sinais como natural da idade é mais comum do que se pensa. Muitos levam um ano, dois ou cinco anos para se ter um diagnóstico chegado e, quando isso acontece, o chão se abre. Questionar o médico, buscar outra opinião é valido, mas, enfrentar esse diagnóstico que se repete é muito difícil. O que fazer diante dessa situação? Buscar informações. Procurar entender o processo neurodegenerativo que se instalou no nosso familiar e buscar uma rede de apoio. Mas, devo salientar que, antes de tudo isso, aceitar a doença. Entender que nada irá acontecer de um dia para outro. Ou seja, seu familiar não irá acordar no dia seguinte sem saber quem é ou quem é você. Isso será progressivo, podendo durar anos. Aceitar e entender a doença. Saber que uma nova história está sendo escrita no dia a dia e, conhecer os desafios para poder se preparar.
Saímos do consultório sabendo que nada será igual ao dia de ontem.

—-
Confira mais neste vídeo do canal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *