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Pacientes acamados

Com a evolução das doenças crônicas, como as demências e, entre elas, o Alzheimer, os familiares se tornam totalmente dependentes de alguém que possa 24h se dedicar no cuidar., gerando situações de verdadeiro pânico entre os familiares que, leigos, procuram dar o máximo de si. Muitas vezes, cuidam sozinhos e, diante de situações delicadas, não sabem o que fazer. A nossa realidade é que, a maioria nem possuem condições financeiras adequadas, para atender todas as necessidades básicas que um familiar acamado necessita. Fazem verdadeiros milagres. A falta de conhecimento, é o primeiro obstáculo a ser vencido. Entrar em grupos de apoio, ler assuntos ligados as fases do Alzheimer, ver filmes que toquem no assunto e conversar com o médico que os atende, é muito importante. Pois cada fase é peculiar e cada caso é um caso. Saber o que poderá acontecer ajuda a por os pés no chão e a não se desesperar tanto quando essa situação acontecer.

O que devemos salientar é a importância dessa fase ser adiada o máximo possível. Sabendo-se que um dia ela ocorrerá. A minha primeira orientação é não deixar o familiar totalmente mobilizado numa cama. Isso irá causar outros problemas de saúde, comprometendo a qualidade de vida. O ideal é que o coloque numa cama hospitalar, que nas suas várias posições, altura e segurança com grades, facilitará na alimentação, no sono e no banho de leito, se isso se tornar necessário. Quando não pe possível alugar uma cama hospitalar, denta-se adaptar a cama comum.
Aqui, o grau de dependência é total.

O que quero dizer em ofertar melhor qualidade de vida?

O local que ele ou ela deverá ficar, deverá ser bem avaliado. Com boa luminosidade, bem arejado e silencioso. Algumas pessoas optam por fazer essa escolha num quarto e outros numa sala. O que irá realmente importará é que, diante dessa escolha, o familiar acamado esteja sendo monitorado o tempo todo. A colocação de câmeras de vigilância pode ajudar e, muito, pois existem câmeras que possuem aplicativos no celular, vieram facilitar nossas vidas.

A altura é importante para facilitar o manuseio do acamado pelo cuidador.
Os lençóis devem ser bem esticados, evitando-se rugas que poderão causar feridas, as famosas ulceras de pressão. O ideal é que esse familiar acamado tenham um colchão pneumático que massageia e estimula os tecidos inativos promovendo circulação vital. Não sendo possível, um colchão de casaca de ovo.

Capas impermeáveis para os colchões e, um lençol impermeável na altura dos quadris, sob o lençol, seria muito interessante. Esses materiais ajudarão a evitar que o colchão seja atingido pela urina ou fezes, causando odores desagradáveis.

As grades laterais são importantes também, para dar segurança ao familiar acamado, evitando-se que ele se levante ou tente sair da cama e caia.
Podemos fazer uso de travesseiros anatômicos, como rolos para por junto a grade ou nos pés, elevando-os.

O banho de leito, se for possível, só em casos extremos. O ideal é que seja retirado da cama e levado ao banheiro, para uma ducha mais completa. A higiene é muito importante, pois devemos ter uma atenção redobrada nas partes intimas. Fazer uso de cadeira higiênica. A temperatura da água deve ser bem avaliada e uso de produtos infantis, como shampoos e sabonetes evitarão possíveis alergias. Peça que o familiar ajude nessa hora, com pequenas participações na higiene. Estimule e converse o tempo toda, avisando o que você irá fazer. Tipo, agora vou por água morna nas suas costas e ensaboar. Use luvas. O uso de um chaveirinho higiênico irá ajudar, e muito.

Planeje esse banho.

Separe as roupas que ele (a) irá usar, a toalha, a fralda, o material de apoio, como as luvas, toalhas higiênicas, por exemplo. Meias, hidratante, óleos, pente. Aproveite e faça a higiene da prótese dentária nesse momento. Evite ter que deixa-lo (a) nu ou sozinho, confuso ou com frio, para ir buscar algo que esqueceu. Os lençóis, cobertas, fronhas também deverão estar separados.

Esse preparo irá definir se o banho será algo gostoso ou desagradável.

Nesse momento, observe se há lesões, assaduras, micoses, feridas, vermelhões, etc. Seque bem, com uma toalha macia.
A Alimentação deve ser bem monitorada por existir o risco de bronco aspirar. Dependendo do grau em que se encontra, uma nutricionista deverá ser acionada como também uma fisioterapeuta.

Deve-se levar em conta a qualidade desse alimento, os horários e a quantidade, como também se será solido, pastoso ou liquido. Alguns chegam a fazer uso de uma sonda nasal ou até mesmo gástricas. Mas isso é um tema a parte.

De uma forma em geral, eles necessitam de uma alimentação adequada, balanceada, como frutas, fibras, grãos, ofertadas em 3 em 3 horas. Muita água, sucos ou chás, mantendo o corpo hidratado.

Se for realizar as refeições na cama, lembramos que deve ser numa posição de 90 graus, nunca deitado. Com isso, iremos evitar engasgos ou que bronco aspire o alimento e, que ele vá para os pulmões. Se possível, numa poltrona confortável e que se faça uso de bandejas-mesas, que são muito práticas. Faça uso de guardanapos protegendo o tórax e, nunca se esqueça de fazer a higiene após as refeições.
A troca da fralda deve ser constante e bem observada, com todo o processo de higiene sendo realizado de forma adequada, evitando-se que ocorra vazamentos, odores e infecções.

Quero lembrar que pacientes agitados, devem passar sempre pelo médico e toda medicação, respeitadas.
Diante de uma agitação, deve-se investigar. Ou seja, procurar causas prováveis. Rugas nos lençóis, assaduras, frio ou calor excessivos, ruídos, pressão arterial, insetos, etc.

Não esqueça de realizar o decúbito de 2 em 2 horas. Com isso, estaremos evitando o aparecimento de escaras, as temíveis ulceras de pressão. Como o uso adequado de um colchão adequado, seja ele de casca de ovo ou o pneumático (o ideal).
Infecções de repetições, como as pneumonias e urinarias são perigosas e esse tema será um capitulo a parte. Com internações hospitalares devido a fragilidade física.

Ou seja, o familiar quando chega a essa fase, tornando-se acamada, necessita estar o tempo todo monitorado e, consequentemente, de uma equipe multidisciplinar, que possam nos orientar, como cuidadores. Como já foi citado, uma Nutricionista, um Fisioterapeuta, um médico Geriatra ou Psiquiatra, um Neurologista, uma Fonoaudióloga, quando possível, uma Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, e assim por diante.

Texto desenvolvido por Juana Llabres

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