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Eu cuido…Mas quem cuida de mim?

O tempo que nos é destinado do nascimento até a nossa morte é o que chamamos de Vida. As vivências que vamos adquirindo no decorrer de nossa existência, a maneira como nos relacionamos com os outros, nossas trocas e experiências, vão definindo a nossa Vida, a nossa trajetória… Mas, como pensar na própria vida quando se tem alguém ao nosso lado morrendo? E, mais ainda, quando é um familiar, alguém que temos uma relação afetiva importante?

Muitas questões começam a surgir nesse momento, e uma delas é pensar na própria existência, quais têm sido as minhas escolhas? Que tipo de vida quero ter e qual estou tendo? O que fazer para não adoecer? As culpas que vão surgindo dessa relação, inclusive, o próprio processo de morte e morrer.

A maioria das pessoas acreditam que estar diante de uma situação como essa e ter que pensar e cuidar de si mesma é egoísmo, e ser egoísta não cai bem, afinal, vivemos numa sociedade, na qual, são bem vistos àqueles que pensam mais nos outros do que em de si próprio, são consideradas pessoas virtuosas e dignas. No entanto, abandonar- se e passar a viver pelo outro o seu adoecimento, penso ser uma forma bastante arriscada de encarar um processo como esse, simplesmente, porque não é abrindo mão de nossas necessidades e prazeres que estaremos ajudando alguém. Muito pelo contrário, conseguiremos ajudar o outro, quando estivermos fisicamente e emocionalmente bem. Cuidar de si não significa ser egoísta, mas ser responsável por aquilo que um dia alguém lhe deu: a sua Vida.

Cuidar de alguém que está morrendo é estar presente ao lado dessa pessoa, com ela e para ela. É estar disponível para ajudar em suas necessidades, poder escutar e realizar suas vontades, dentro do que é possível, mas sem querer viver aquilo que foi destinado à ela viver.

Só conseguimos fazer para o outro, aquilo que fazemos primeiro para nós. Cuidar do outro só tem sentido se você cuidar antes de si mesmo.

Andrea Oliveira
Psicóloga/ Psicanalista
Face: por trás do espelho

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